Advertência

Advertência.

” andai enquanto tendes a luz…”

 A palavra do Mestre abrange variegadas nuances da experiência humana, compelindo-nos a raciocínios evidentemente simples, porém, mais dilatados, na esfera do aprendizado para a Vida Superior.
Enquanto andamos no Mundo, desfrutamos de excepcionais vantagens, que nos enriquecem a marcha redentora.
Os pés para a locomoção.
Os braços e as mãos para o trabalho.
A visão física integral.
A faculdade de ouvir, falar, sentir, escrever.
A saúde do corpo e a razão esclarecida proporcionando o equilíbrio do binômio “alma-corpo”.
Em torno de nossos passos, infinitas bênçãos se desdobram, fartas e exuberantes, suaves e perfumadas.
O encanto das noites enluaradas.
A beleza dos céus estrelados.
O esplendor da claridade solar.
A opulência da Natureza, com a graça de seus incomparáveis panoramas e o delicado aroma de suas flores — tudo isto constitui bênção em nosso caminho.
Chova ou faça sol, dispomos, invariàvelmente, de vinte e quatro horas que se repetem, na ampulheta do Tempo, descortinando cada manhã novas searas, novos recursos educativos na senda do aperfeiçoamento.
Na senda do progresso, pois não somos órfãos da misericórdia celeste.
No esforço de aprimoramento, visto que não somos deserdados da sorte.

 * * *

 Semelhantes patrimônios foram acrescidos, há dois milênios, dos tesouros do Evangelho, das sublimes claridades que Jesus-Cristo deixou no Mundo para que no Mundo fosse possível à criatura humana palmilhar a estrada evolutiva sob a bênção do entendimento maior.
Somos, hoje, beneficiários da luz da Razão — que nos garante a escolha do melhor, do mais conveniente. Brilha-nos a Consciência, por divina aquisição, no santuário de nossa individualidade eterna — a nos preservar do obscurantismo. Adquirimos, na esteira dos milênios sem conta, o senso moral — que nos distancia da irracionalidade. Magníficos patrimônios, indestrutíveis, inalienáveis, milenárias porfias nos legaram. A oportunidade, na presente reencarnação, de nos enriquecermos para o futuro, caracteriza-se não só por todos esses elementos de progresso consciente, mas, também, pelos benefícios da normalidade somática e da lucidez psíquica.
Desconhecendo o instante em que a nossa alma “será pedida”, em virtude da indefectível transição a que todo ser encarnado está sujeito, é imprescindível não desprezemos a luz. Urge buscar a claridade, “enquanto estamos a caminho”, para que o amanhã, no Espaço ou de novo na Terra, não nos responda em termos de sombra e angústia, confusão e desespero.
Os problemas do após-morte — nenhum espírita esclarecido desconhece semelhante realidade — relacionam-se, intimamente, com o nosso atual comportamento psico-físico, não só na esfera dos atos, prôpriamente ditos, como da palavra e do pensamento.
Falar e agir, pensar e escrever, constituem sementeiras que produzirão, mais tarde, em qualquer tempo e lugar, os frutos que se lhes equivalem. Todos os fenômenos com que nos defrontaremos, após a transposição dos pórticos do Além-Túmulo, resultarão da maneira pela qual tivermos “andado no Mundo”. Fenômenos agradáveis ou desagradáveis, de equilíbrio ou desajuste, de paz ou de remorso, de ventura ou de infortúnio… Por isso, decerto, asseverava fraternalmente o Mestre: “andai enquanto tendes a luz…”
Andai enquanto todas as possibilidades vos felicitarem o caminho — é o que certamente recomendava o Cristo, através da suave advertência, do amoroso aviso.
A Doutrina Espírita, revivendo as imortais lições do Celeste Benfeitor, lembra aos homens a necessidade do aproveitamento da oportunidade de nossa presença no corpo físico, de modo a convertermos os preciosos minutos de nossa existência em abençoado ensejo de crescimento e iluminação.

Do Livro Estudando o Evangelho de  Martins Peralva

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