Pensamento: Sintonia e Afinidade – Palestra de Nane Mendonça realizada no dia 21/02/2013

“Nossa alma vive onde se lhe situa o coração. Caminharemos ao influxo das nossas próprias criações, seja onde for.”André Luiz (01)

“É da forja viva da idéia que saem as asas dos anjos e as algemas do condenados.” André Luiz (01)

A mente humana é um centro gerador de forças e de conexões. Assemelha-se a uma estação transmissora e receptora a espraiar ondas de pensamentos as quais sintonizam com outras inteligências tanto de espíritos reencarnados, quanto dos desencarnados, conforme as leis da afinidade e da sintonia. Suely Caldas Schubert (02) esclarece que “há sintonia quanto uma onda mental encontra ressonância em um campo vibratório equivalente, sendo captada por um receptor da mesma frequência.” Quer dizer, pessoas com opiniões, ideias, sentimentos semelhantes se interconectam pelas leis da afinidade e, por assim ser, vibram na mesma sintonia, mesma faixa vibratória, tanto para o bem e para a felicidade, quanto para a desdita, a infelicidade.

Nossa condição de espíritos faz com que estabeleçamos interações intermitentes entre o plano físico e o espiritual. Não estamos isolados, tampouco deixamos de atuar na harmonia ou na desarmonia do locusonde estamos localizados, conforme a qualidade superior ou inferior das irradiações psíquicas que emitimos.

Emmanuel(03) assim esclarece sobre esta grave questão:

“A mente, em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente para o alto destino que lhe compete atingir. Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente. De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos”, a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos. Por isso, quem não se habilite a conhecimentos mais altos, quem não exercite a vontade para sobrepor-se às circunstâncias de ordem inferior, padecerá, invariavelmente, a imposição do meio em que se localiza. Somos afetados pelas vibrações de paisagens, pessoas e coisas que nos cercam. Se nos confiamos às impressões alheias de enfermidade e amargura, apressadamente se nos altera o “tônus mental”, inclinando-nos à franca receptividade de moléstias indefiníveis.”

Em outras palavras, nós interexistimos e é engano acreditar que nossos pensamentos não estejam sendo perscrustados por outras mentes. O Professor Kardec, na questão nº 457 do Livro dos Espíritos, assim questiona aos Espíritos: “Os Espíritos podem conhecer nossos mais secretos pensamentos?–Frequentemente conhecem o que gostaríeis de esconder de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos lhes podem ser ocultados.”

Dessa forma, o padrão de pensar que emanamos, motivado pela qualidade dos sentimentos cultivados em nosso íntimo, se exterioriza em ondas mentais, semelhantes às ondas de rádio. Por estarmos na mesma faixa vibratória, nos conectamos a outras mentes afins, as quais entabularão convivência conosco, muito embora possam estar desencarnados, agravando nossos conflitos e desajustes, ou, caso procuremos sanear e iluminar nossas emoções, colaborando para que saiamos vitoriosos da presente reencarnação. É a lei da afinidade. Isso é fácil de compreender nas nossas relações diárias. Nós buscamos estabelecer laços de amizades e de convívio exatamente com aqueles que se assemelham a nós e sentimos dificuldade de ajuste de ideias com quem não sente nem pensa como nós. Questão de sintonia. É como se estivéssemos mergulhados em mundos diferentes. Por estar nossa mente emitindo sintonia diversa, sentimos dificuldade de afinizar opiniões, gostos, hábitos.

Muitos dos nossos males existenciais encontra sua gênese exatamente no padrão emotivo e consequentemente de pensamentos e de ações que cultivamos. Não raro, nos vemos acorrentados a situações afligentes ou desenvolvemos males físicos como reflexo imediato das irradiações psíquicas emitidas por nós as quais espelham os tormentos ou as viciações que abraçamos em nossa casa íntima.

Nossa imaginação é criadora. Pensamentos longamente cultivados se concretizam e se consubstanciam em formas ideoplasmáticas que, caso deletérias, podem comprometer nossa saúde e das pessoas que convivem conosco. Assim, por exemplo, o cultivo da melancolia, o padrão emocional assentado na morbidez, no desânimo, criam em torno do indivíduo uma psicosfera sombria, contaminada pelas irradiações mentais perturbadoras que emite. Aprisionado em si mesmo, não consegue perceber as bençãos que o envolvem, focalizando o olhar e o sentir em suas trevas internas. A melancolia largamente cultivada reflete estágio inferior e rebelde da alma, que não sabe se resignar diante das provas redentoras.

Do mesmo modo a vitalização de pensamentos sensuais, odiosos, rancorosos, vingativos e invejosos cristalizam-se em formas pensamento, vibriões mentais que adquirem plasticidade e vida e passam a integrar o halo psíquico da pessoa que os cultiva (04). Em consequência, o perispírito, que é nosso modelo organizador biológico, se desarmoniza, reverberando assim em desordens nas células do corpo físico. O benfeitor Manoel Philomeno (04) adverte que as irradiações psíquicas realizam ações que são somatizadas pelo corpo físico tanto para a saúde e o bem estar quanto para a desordem emocional e celular, estas últimas, promovedoras de enfermidades. Dessa forma, aquele que vitaliza fixações mentais viciosas, de naipe inferior, tornam-se autoagressores, artesãos das próprias dores:

” Plasma-se no universo tudo aquilo que vibra. As preces e os sentimentos enobrecidos fomentam delicadas construções espirituais que emanam conteúdos de harmonizar, bem estar e elevação psíquica. As recriminações, os vícios, as aspirações perturbadoras produzem aglutinações de partículas que se transformam em vibriões agressivos e vorazes, que se nutrem do continuum mental, encarcerando o seu agente, que se lhe torna paciente aprisionado nas malhas das próprias elocubrações doentias.Larvas, formas pensamento agressivas, vírus desconhecidos fixam-se no campo aúrico e passam a invadir o corpo perispiritual, perturbando-lhes a harmonia, que se manifestará como distúrbios mentais e orgânicos de difícil diagnose e mais desafiadora terapia.” Manoel Philomeno de Miranda ( 03)

Somos responsáveis pelas nossas criações mentais e, por conseguinte, pela nossa felicidade ou desdita.

Vejamos como André Luiz (01) nos esclarece:

” Imaginar é criar. E toda criação tem vida e movimento, ainda que ligeiros, impondo responsabilidade à consciência que a manifesta. E como a vida e o movimento se vinculam aos principios da permuta, é indispensável analisar o que damos, a fim de ajuizar quanto àquilo que devamos receber.Quem apenas mentalize angústia e crime, miséria e perturbação, poderá refletir no espelho da própria alma outras imagens que não sejam as da desarmonia e do sofrimento?”

Ao reencarnarmos, renascemos vinculados a uma programação de reajuste, de refazimento. Nascemos para felicidade, para avançarmos em nossa trajetória de luz. Todavia, haveremos de levar a sério a advertência do Mestre Jesus quando nos convoca à atitude permanente de vigilância e de oração. É preciso que façamos o esforço de conhecer as nascentes de nossos sentimentos e ações e procurarmos manter nosso padrão mental elevado. Cultivar o hábito da prece, da leitura edificante, vincular-se ao trabalho no Bem e, sobretudo, se autoconhecer. Procurar dar conta dos pontos essenciais que precisam ser modificados na própria conduta com coragem. Não raro, precisaremos de ajuda terapêutica tanto espírita quanto de um profissional de saúde mental, a fim de que consigamos realmente avançar mar adentro de nosso íntimo e superarmos as inquietações que nos impedem de eleger um campo mental leve, iluminado de alegria de viver.

Manoel Philomeno de Miranda ( 04) adverte:

“Sejam quais forem as circunstâncias da existência, cabe oa viajante carnal manter o pensamento em alto nível de reflexões, cultivando as ideias otimistas e iluminativas, de modo a criar campos saudáveis dos quais se exteriorizarão as construções equilibradas da emoção e do organismo físico.Toda vez quando as injunções tentarem imprimir na mente as idéias perversas, os transtornos de conduta, as fixações negativas em torno de ocorrências infelizes , os ressentimentos que constituem presenças morbíferas no Espírito, é dever de todo indivíduo lúcido, especialmente daquele que se vinculou aos postulados espíritas, esclarecer-se a respeito dos deveres para coma vida, substituí-los pelas formulações agradáveis e harmoniosas da paz, cultivando a esperança e vivenciando o amor, sem deixar afetar pelo desespero e pela mágoa.”

E Emmanuel( 03) lucidamente nos ensina:

“Energia viva, o pensamento desloca, em torno de nós, forças sutis, construindo paisagens ou formas e criando centros magnéticos ou ondas, com os quais emitimos a nossa atuação ou recebemos a atuação dos outros. Nosso êxito ou fracasso dependem da persistência ou da fé com que nos consagramos mentalmente aos objetivos que nos propomos alcançar. Semelhante lei de reciprocidade impera em todos os acontecimentos da vida. Comunicar-nos-emos com as entidades e núcleos de pensamentos, com os quais nos colocamos em sintonia. Nos mais simples quadros da natureza, vemos manifestado o princípio da correspondência. Um fruto apodrecido ao abandono estabelece no chão um foco infeccioso que tende a crescer, incorporando elementos corruptores. Exponhamos a pequena lâmina de cristal, limpa e bem cuidada, à luz do dia, e refletirá infinitas cintilações do Sol. Andorinhas seguem a beleza da primavera. Corujas acompanham as trevas da noite. O mato inculto asila serpentes. A terra cultivada produz o bom grão. Na mediunidade, essas leis se expressam, ativas. Mentes enfermiças e perturbadas assimilam as correntes desordenadas do desequilíbrio, enquanto que a boa-vontade e a boa intenção acumulam os valores do bem. Ninguém está só. Cada alma recebe de acordo com aquilo que se dá. Cada alma vive no clima espiritual que elegeu, procurando o tipo de experiência em que situa a própria felicidade. Estejamos, assim, convictos de que os nossos companheiros na Terra ou no Além são aqueles que escolhemos com as nossas solicitações interiores, mesmo porque, segundo o antigo ensinamento evangélico, “teremos nosso tesouro onde colocarmos o coração”.

Portanto, aceitemos o sublime desafio que a vida nos oferece. Icemos as velas do nosso barco e adentremos no mar da existência conscientes de que nossa navegação será conforme as ondas mentais que emitirmos. Cuidemos para que sejamos cooperadores do Cristo, Ele que é nossa bússola, saneando a Terra a partir de nós mesmos. De nada adiantam palavras, ritos e formas, se não nos dermos conta de nossa filiação divina. Somos cocriadores do mundo. Cabe, porém, decidirmos se viveremos acorrentados ao hadesde nossa incúria, emitindo irradiações pestilentas e viciosas ou se, finalmente, nossas ondas mentais iluminadas revelarão o Céu instalado dentro de nós.

Referências:
1- Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, editora FEB, p. 138/139.
2-Mentes Interconectadas e a Lei da Atração, Suely Caldas Schubert, editora EBM,p.95 .
3- Roteiro,Emmanuel,psicografia de Francisco Cândido Xavier, editora FEB, p. 111/ 119.
4- Mediunidade: Desafios e Bençãos, Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco, editora Leal, p.44/50.

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